Por Dra. Mariana Ataide – Endocrinologista
“Quando um tema começa a aparecer em toda clínica de bairro, em vídeos no TikTok e em grupos de WhatsApp, é sinal de que precisamos trazer ciência para a conversa.”
A tirzepatida mounjaro se tornou um dos medicamentos mais comentados atualmente para emagrecimento e controle metabólico — mas junto com a popularidade, também surgiram dúvidas, exageros e muita desinformação nas redes sociais.
Nos últimos anos, os medicamentos injetáveis para emagrecimento deixaram de ser um assunto restrito aos consultórios e passaram a fazer parte do cotidiano de muitos pacientes.
Mas existe um ponto importante: nem tudo o que se fala sobre esses tratamentos representa o que a ciência realmente comprova.
A seguir, eu explico, de forma prática e com olhar médico, o que cada uma dessas opções faz no corpo — e o que você precisa saber antes de se expor a riscos desnecessários.
Tirzepatida (Mounjaro): o que acontece no corpo de quem usa
A tirzepatida, conhecida comercialmente como Mounjaro, é hoje uma das terapias mais estudadas e eficazes para obesidade e diabetes tipo 2.
Como ela age na prática
A tirzepatida atua em diferentes mecanismos, o que ajuda a explicar seus resultados:
- Reduz o apetite de forma central (no cérebro)
- Diminui a velocidade do esvaziamento gástrico
- Melhora a sensibilidade à insulina
- Reduz picos de glicose e insulina
- Facilita a perda de gordura corporal
O que os estudos mostram
Os dados científicos disponíveis apontam:
- Perda média de 15% a 22% do peso corporal
- Melhora significativa de parâmetros metabólicos
- Dados consistentes de segurança em longo prazo
- Estudos de fase 3 publicados (programa SURPASS)
Na prática clínica
Quando bem indicada e acompanhada, a tirzepatida promove emagrecimento consistente sem efeito catabólico severo, especialmente quando associada a:
- ingestão proteica adequada
- exercício de força
- acompanhamento médico individualizado
Com acompanhamento adequado, a tirzepatida mounjaro pode ser uma ferramenta segura e extremamente eficaz dentro de um plano médico individualizado.
O que a paciente precisa saber
A tirzepatida não é milagre, não substitui hábitos e não deve ser usada sem acompanhamento médico, inclusive nos casos em que é adquirida de forma irregular.
Retatrutida: como se compara à tirzepatida (Mounjaro)
A retatrutida é uma molécula ainda experimental, mas que chamou muita atenção da comunidade científica.
O diferencial técnico
Ela atua em três receptores hormonais:
- GLP-1
- GIP
- Glucagon
Essa combinação sugere efeitos como:
- supressão de apetite
- aumento do gasto energético
- maior oxidação de gordura
O que os estudos iniciais mostram
Os dados preliminares são promissores:
- Estudos de fase 2 (publicados no New England Journal of Medicine – NEJM) (adicione o link aqui)
- Perda de peso que ultrapassa 24% em alguns protocolos
- Redução expressiva de gordura corporal
O que ainda não sabemos
Mesmo com números impressionantes, ainda existem pontos importantes sem resposta:
- impacto real na massa magra
- segurança em uso prolongado
- efeitos metabólicos a longo prazo
Na prática
A retatrutida parece “mais potente” do que a tirzepatida em números, mas ainda não é um medicamento aprovado.
Hoje, ela não deve ser utilizada fora de estudos clínicos.
Peptídeos: por que não são alternativa à tirzepatida (Mounjaro)
Aqui está um dos pontos mais importantes — e também o mais mal compreendido.
O que são os “peptídeos” citados para emagrecimento
Nos EUA, clínicas não médicas vêm utilizando substâncias como:
- fragmentos de GLP-1
- compostos experimentais
- fórmulas manipuladas sem padronização
Muitos deles não são medicamentos, mas substâncias de pesquisa (os chamados research peptides).
O que as pessoas dizem que os peptídeos fazem
Nos relatos populares, os peptídeos seriam capazes de:
- “queimar gordura mais rápido”
- “preservar massa magra”
- “não causar efeito rebote”
- “ser mais natural que Mounjaro”
O que a ciência realmente mostra
O problema é que, até agora:
- não há estudos clínicos robustos
- não há padronização de dose
- não sabemos o impacto real em:
- massa muscular
- efeitos cardiovasculares
- riscos hormonais no longo prazo
No Brasil
No Brasil, esses produtos:
- não são aprovados pela Anvisa
- não possuem indicação médica formal
- circulam fora de qualquer diretriz de segurança
(se quiser, aqui você pode adicionar um link externo para a Anvisa ou uma página de consulta de medicamentos)

Na prática clínica
O que muitas pacientes estão usando não é equivalente a tirzepatida, semaglutida ou retatrutida.
Na maioria dos casos, são substâncias sem validação, aplicadas sem critérios e, muitas vezes, em ambientes sem suporte médico adequado.
Conclusão médica: o que realmente importa
“Como endocrinologista, meu papel não é seguir modas. É proteger a saúde do paciente.”
Hoje, a realidade é clara:
- Tirzepatida (Mounjaro): opção eficaz, estudada e segura quando bem indicada
- Retatrutida: promessa futura, ainda em investigação
- Peptídeos: hype sem evidência clínica suficiente
A paciente precisa entender:
se algo parece bom demais, barato demais ou fácil demais, geralmente não passou pelo rigor científico necessário.
Tratamento de obesidade é processo, não atalho.
Tratamento hormonal, emagrecimento e saúde metabólica não são experimentos.
Se você está considerando tirzepatida mounjaro, o mais importante é fazer isso com indicação correta, estratégia e acompanhamento médico.
Se você quer sair do achismo e entrar em um plano seguro, estruturado e individualizado, agende sua consulta comigo.
